Apesar de negros representarem pouco mais da metade da população brasileira e cerca de metade das candidaturas à Câmara dos Deputados, eles ocupam apenas pouco mais de 25% das cadeiras da Casa. A avaliação foi feita pela pesquisadora e professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub) Evelyn Apolinária, citada pela Agência Brasil.

Do total de 135 deputados federais pretos e pardos eleitos no primeiro turno das eleições de 2026, 77 conquistaram a reeleição, segundo os dados apresentados. Evelyn Apolinária aponta que a sub-representação se manteve, mesmo com medidas de incentivo adotadas nas regras eleitorais.

A pesquisadora atribui o resultado a fatores como acesso desigual aos recursos de campanha, financiamento eleitoral e estruturas partidárias. Ela afirmou que a distribuição proporcional dos fundos e outras regras de incentivo não foram suficientes para reduzir a diferença entre a presença na população e a ocupação de cadeiras.

A federação formada por União Brasil e Progressistas foi a que mais elegeu parlamentares negros, com 32 cadeiras, o que equivale a 23,7% do total dos eleitos pretos e pardos, conforme os dados citados.

Evelyn, que é doutoranda na Universidade de Brasília (UnB), também observou que a simples presença de parlamentares negros não garante atuação conjunta em pautas antirracistas, pois a representação por raça e cor não determina orientação ideológica ou unidade de agenda.

A pesquisadora ressaltou que a composição mais conservadora prevista para a próxima legislatura pode dificultar avanços em propostas de combate ao racismo, ampliação de políticas afirmativas e orçamento para igualdade racial, embora o desdobramento dependa de fatores como o resultado do segundo turno presidencial e a relação entre Executivo e Legislativo.

Por fim, Evelyn indicou que a bancada negra ainda pode influenciar a manutenção do tema na agenda do Congresso se ocupar espaços de liderança, mas alertou para o risco de menor prioridade e maior conflito em torno das pautas relacionadas à igualdade racial.