A FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) afirmou que o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho deve ser conduzido de forma técnica e sem interferências políticas, e alertou que a proximidade das eleições “contamina o debate”, segundo posicionamento apresentado pela entidade.
O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, destacou a diversidade do setor industrial catarinense e disse ser necessário considerar as particularidades de cada atividade antes de tornar obrigatória uma mudança no regime de trabalho. Para a federação, vários segmentos já adotam, de forma voluntária, modelos como a escala 5×2, o que reforça a necessidade de analisar realidades distintas por setor.
A entidade advertiu que uma alteração compulsória da jornada, aplicada de forma igual a todos os setores, pode elevar os custos das empresas. Na avaliação da Fiesc, esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores por meio de preços mais altos, o que, conforme a Federação, pode impactar a competitividade da indústria catarinense no mercado.
Além do efeito sobre preços, a Fiesc apontou que a necessidade de ampliar equipes para compensar redução de jornada pode pressionar a contratação de profissionais qualificados, onerando especialmente pequenas e médias empresas. A federação também alertou para risco de estímulo à informalidade se o emprego formal ficar mais caro.
Como alternativa, a Fiesc defendeu que mudanças nas relações trabalhistas sejam discutidas por negociação coletiva entre sindicatos de trabalhadores e empregadores, e afirmou que a redução sustentável da jornada depende de avanços em produtividade, inovação e automação dos processos produtivos.
O posicionamento da federação foi divulgado no mesmo dia em que o Senado Federal analisava a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A votação no Senado estava prevista para quarta‑feira (14).




