A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que, em um eventual governo, pretende acabar com o mecanismo conhecido como 'split payment' — sistema criado pela reforma tributária que separa automaticamente a parcela correspondente aos novos impostos (IBS e CBS) no momento do pagamento. A declaração foi feita pela coordenadora do núcleo econômico e porta-voz da campanha, Daniella Marques, durante entrevista no programa ALive, segundo registro da reportagem.

Daniella Marques disse, questionada sobre a possibilidade de extinguir o mecanismo, 'Claro que sim', e criticou o efeito do 'split payment' sobre o capital de giro das empresas, conforme a declaração divulgada pela reportagem. A campanha atribuiu a crítica a integrantes da equipe e aliados que se posicionaram contra o sistema.

Autoridades e especialistas ouvidos no noticiário apontaram razões contrárias ao fim do mecanismo. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou no ano passado que o 'split payment' reduziria a sonegação porque o recurso seria direcionado diretamente aos cofres públicos quando o pagamento for feito por meios eletrônicos. Já o tributarista Lucas Ribeiro estimou, em levantamento citado pela reportagem, que o mecanismo poderia elevar a arrecadação federal em valores equivalentes à sonegação anual, na ordem de centenas de bilhões de reais.

A reportagem também lembra que o 'split payment' foi previsto para ser obrigatório, em operações B2B, a partir de 2028 como parte do novo sistema de arrecadação da Receita Federal. O texto explica ainda que empresas do Simples Nacional puderam optar por migrar para um modelo híbrido, enquanto MEI e nanoempreendedores permaneceriam no regime simplificado, sem recolhimento via 'split payment'. O plano de governo do candidato, apresentado ao TSE, critica a reforma e propõe reduzir alíquotas do IVA e impostos sobre consumo, sem detalhar como implementaria a revogação do mecanismo.