A dois dias do segundo turno (25/10/2026), uma sequência de pesquisas nacionais passou a indicar que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu parte da desvantagem que o separava do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas principais séries comparáveis. O Datafolha, a Indexa/Broadcast e o PoderData registraram nas suas rodadas mais recentes diminuição da vantagem nominal de Flávio dentro da própria série de levantamentos, enquanto a Vox Brasil publicou pesquisa em que Lula aparece numericamente à frente.

No caso do Datafolha, a trajetória nas três pesquisas do período foi: 8/10 — Flávio 52% x 48% Lula; 15/10 — Flávio 51% x 49% Lula; 22/10 — empate em 50% a 50% nos votos válidos (números sem arredondamento: 50,47% para Flávio e 49,53% para Lula). O levantamento mais recente ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios entre 20 e 22 de outubro e tem margem de erro de dois pontos percentuais (registro TSE BR-09709/2026).

A Indexa, em parceria com o Broadcast, mostrou redução semelhante dentro de sua série: em 15/10 registrou 51% para Flávio e 49% para Lula; na rodada divulgada em 22/10 a diferença caiu para 50,6% a 49,4% (2.000 entrevistas, margem de erro de 2,2 pontos; BR-02348/2026). O PoderData/Aya também registrou movimento na mesma direção, com 52% para Flávio e 48% para Lula em rodada anterior e 51% a 49% na pesquisa divulgada em 22/10 (4.000 entrevistas; margem de erro de 1,6 ponto; BR-07926/2026).

A pesquisa da Vox Brasil, divulgada na madrugada de 23/10, colocou Lula numericamente à frente no cálculo por votos válidos, com 50,6% ante 49,4% de Flávio, em amostra de 2.100 entrevistados entre 20 e 22 de outubro (margem de erro de 2,15 pontos; BR-03259/2026). Em todos os levantamentos citados, entretanto, as diferenças permanecem dentro das margens de erro informadas pelos institutos, o que caracteriza tecnicamente empate.

A série de resultados sucessivos em alguns institutos tem significado analítico porque acompanha a trajetória de cada instituto ao longo do tempo, em vez de comparar metodologias distintas. A reportagem observou também um precedente: desde 1989 nenhum candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu virar a disputa no segundo turno; se Lula superar Flávio em 25/10 seria a primeira virada desse tipo desde a redemocratização.

Os números, portanto, apontam para um cenário mais competitivo do que o registrado no início do segundo turno — Lula recuperou parte da desvantagem em séries específicas —, mas não permitem afirmar um vencedor. As pesquisas medem intenções de voto dentro de amostras e com intervalos de confiança; fatores como abstenção, comparecimento diferencial e pequenas variações de última hora podem influenciar o resultado nas urnas.