Um levantamento do GLOBO com os 155 eleitos pelo Partido Liberal (PL) — 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores — concluiu que 133, o equivalente a 86% do total, não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas manifestações sobre o resultado eleitoral.

Do universo pesquisado, 37 políticos, cerca de 24% do total, endossaram ou compartilharam a carta divulgada por Flávio Bolsonaro após a derrota, documento que chegou a alegar fraude e, em sua primeira versão, autoproclamou o autor como "verdadeiro presidente eleito" antes de mudar a expressão para "líder do Brasil".

A divulgação da carta e a saída de Flávio do país — em meio a determinação judicial para entrega de passaportes, cuja não observância levou ao cancelamento dos documentos pela Polícia Federal — provocaram desconforto na cúpula do PL e reações de dirigentes partidários que tentam conter o desgaste gerado pelo episódio.

A reportagem analisou publicações nas redes sociais e cita parlamentares que compartilharam o texto ou questionaram o resultado, entre eles Nikolas Ferreira (PL‑MG) e o deputado Domingos Sávio (MG), além de outros nomes federais que passaram a duvidar ou a criticar partes do processo eleitoral sem apresentar provas.

Parte dos eleitos que não reconheceram publicamente a vitória adotou posturas distintas: alguns se limitaram a lamentar a derrota, outros levantaram suspeitas sobre a apuração e alguns defenderam ações jurídicas, enquanto uma minoria reconheceu expressamente o resultado e pediu respeito às instituições.

O episódio ampliou o debate sobre a liderança da oposição e a estabilidade institucional no país, com dirigentes de centro e do chamado Centrão reconhecendo a vitória e reduzindo o espaço político para a contestação pública promovida por aliados de Flávio; autoridades eleitorais reiteraram a legitimidade do resultado.