A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta em que solicita a implementação de medidas urgentes contra a violência e o avanço na demarcação de terras dos povos originários ainda em 2026. A organização pede também uma reunião com o presidente para discutir a participação das entidades indígenas nas decisões do próximo mandato, segundo a reportagem da fonte.
A entidade reivindica o avanço da demarcação de 73 Terras Indígenas declaradas e defende a manutenção desses territórios livres de mineração. A Apib apresentou a proposta como um possível legado histórico do governo e cita a preocupação com iniciativas legislativas consideradas uma ameaça aos direitos indígenas.
A carta foi motivada por uma série de denúncias de episódios violentos no Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições, reportados pela Apib. Entre os fatos relatados pela organização estão assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de envenenamento da água em Tacuru e Nioaque, além de manifestações racistas e ameaças de morte.
Autoridades federais e ministeriais já foram acionadas: o Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal uma denúncia apresentada por representante da Aldeia Sassoró, em Tacuru, e a PF investiga áudios que teriam mencionado possibilidade de contaminar a água consumida por comunidades. Deputadas federais vinculadas à causa, Sônia Guajajara (PSOL‑SP) e Célia Xakriabá (PSOL‑MG), protocolaram ofício cobrando providências dos ministérios e de órgãos de fiscalização.
O Ministério Público Federal informou ter instaurado procedimentos para apurar acusações sobre ataques, hostilidades e intimidações às comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul; o MPF também determinou prazos e recomendações à prefeitura de Tacuru para apurar a autoria de gravações e adotar medidas de segurança e continuidade de serviços essenciais às comunidades indígenas.
A reportagem registra ainda posições divergentes na apuração local: uma investigação do 1º Ofício da Procuradoria da República em Dourados concluiu que um caso em Naviraí resultou de conflito interpessoal, sem motivação política ou étnica, enquanto outras denúncias permanecem sob investigação pelas autoridades federais e estaduais, conforme as informações divulgadas pela fonte.
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