Uma pesquisa do instituto Datafolha sobre o segundo turno da eleição presidencial identificou diferenças nas justificativas dos eleitores que disseram votar em Flávio Bolsonaro (PL) e em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento foi realizado nos dias 13 e 14 de outubro, ouviu 2.520 pessoas em 153 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais (registro no TSE BR-00466/2026).

Entre os eleitores que declararam voto em Flávio Bolsonaro, a principal motivação apontada foi o desejo de mudança e alternância de poder: 41% citaram essa razão. Outros motivos mencionados foram rejeição a Lula, ao PT ou ao campo da esquerda (31%); preocupações com economia e custo de vida (16%); e propostas ou características do candidato (15%). Também apareceram como justificativas desempenho e legado político (14%), valores e questões ideológicas (13%) e menções a segurança e serviços públicos.

No eleitorado que declarou voto em Lula, 48% apontaram a proteção social como razão principal da escolha. Desempenho e legado do presidente foram citados por 22% dos seus eleitores, e 17% afirmaram que votaram por rejeição ao adversário. Valores políticos, ideologia e defesa da democracia corresponderam a 11% das respostas, e 10% mencionaram propostas ou características pessoais do presidente.

O levantamento identificou diferenças por perfil socioeconômico e faixa etária. Entre eleitores de Flávio com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 47% disseram que a mudança de governo motivou o voto. No segmento jovem de 16 a 24 anos que declarou apoio a Flávio, 31% disseram preferi‑lo por propostas e características do candidato. No eleitorado de Lula, a proteção social apareceu com maior frequência entre pessoas com ensino fundamental (52%) e foi citada por 59% dos evangélicos que afirmaram votar no petista.

A pesquisa também perguntou os motivos de quem pretende votar em branco ou anular o voto: 37% desse grupo apontaram a rejeição a ambos os candidatos como principal justificativa; 19% mencionaram descrença ou desinteresse pela política; e 18% disseram desconfiança, promessas não cumpridas e corrupção. O Datafolha observou que, para parte dos entrevistados, o voto funciona tanto como apoio a um projeto quanto como forma de oposição ao adversário.