A Câmara dos Deputados terá 135 parlamentares identificados como pretos ou pardos após as eleições de 4 de outubro de 2026, segundo a apuração citada na reportagem. O número representa uma redução em relação ao total anterior de 139 cadeiras ocupadas por esse grupo, mantendo o que a pesquisadora qualifica como sub-representação da população negra no Legislativo federal.
A cientista política Evelyn Apolinária, professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub) e doutoranda pela Universidade de Brasília (UnB), observa que pessoas negras corresponderam a cerca de metade das candidaturas à Câmara e representam pouco mais da metade da população brasileira, mas passaram a ocupar pouco mais de 25% das cadeiras. Do total de 135 deputados pretos e pardos eleitos, 77 foram reeleitos, o que indica continuidade entre representantes desse grupo.
Evelyn aponta fatores estruturais que dificultam o acesso de candidatos negros a condições de disputa semelhantes às de outros grupos, citando estruturas partidárias, financiamento eleitoral e distribuição de recursos de campanha. Ela avalia que mecanismos de incentivo existentes não foram suficientes para eliminar a diferença de representação.
A reportagem registra ainda que a federação formada por União Brasil e Progressistas elegeu o maior número de parlamentares negros, com 32 cadeiras, correspondendo a 23,7% do total de deputados pretos e pardos eleitos. Para a pesquisadora, a identidade racial dos parlamentares não determina isoladamente a agenda legislativa: orientações ideológicas distintas entre deputados negros podem levar a prioridades diversas sobre questões raciais.
Segundo Evelyn Apolinária, a presença numérica de parlamentares negros (representação descritiva) não garante automaticamente a defesa de iniciativas específicas (representação substantiva). Ela avalia que um Congresso com maior presença de forças políticas à direita pode reduzir a prioridade a novos projetos de combate ao racismo e à ampliação de políticas afirmativas, mas ressalta que a tramitação dependerá também do resultado do segundo turno presidencial, da relação entre Executivo e Congresso e da articulação de bancadas, como a bancada negra e o Colégio de Líderes. A matéria cita informações da Agência Brasil.

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