A mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes, reagiu à fala do senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial transmitido pela TV Globo na noite de sexta‑feira (23). Cristiane acompanhou o programa na plateia, a convite da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em declaração após a intervenção no estúdio, Cristiane afirmou: “Eu não tive a resposta que eu queria. Ele não respondeu porque defendeu o assassino da minha filha. Um policial subiu atirando e baleou minha filha dentro de casa, foi comprovado isso na perícia”.

A mãe também acusou o senador de ter contribuído para o adiamento do julgamento do policial Bruno Dias Delarolli, apontado como acusado pelo disparo que matou Ana Clara em fevereiro de 2021, em Niterói. “Ele conseguiu anular o júri duas vezes só esse ano com a influência de Senador. Ele é um monstro, igual ao monstro que matou a minha filha”, declarou Cristiane.

No debate, Flávio iniciou a resposta chamando Cristiane pelo nome da filha e disse que prestava solidariedade, descrevendo o episódio como uma troca de tiros em comunidade e afirmando que não acreditava que o policial fosse o autor do disparo. O senador afirmou também que queria ajudar a esclarecer o caso e reiterou confiança de que “não foi esse policial”.

A declaração de Cristiane foi registrada pela cobertura do debate, que lembrou que Ana Clara, então com cinco anos, foi atingida em 2 de fevereiro de 2021, perto de casa na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. O caso foi alvo de perícia e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri, segundo a reportagem.

Cristiane esteve no estúdio acompanhada do deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT‑RJ). A presença da mãe ocorreu depois que o caso voltou a ganhar destaque na campanha, com questionamentos sobre a atuação jurídica do senador na defesa do policial acusado.