O influenciador Pablo Marçal, que alcança grande público nas redes sociais, intensificou a produção de conteúdo favorável ao senador Flávio Bolsonaro desde a votação do primeiro turno, segundo reportagem do Jornal de Brasília baseada em apuração da Folha de S.Paulo. Marçal tem publicado material antipetista, realizado pedidos expressos de voto e utilizado ferramentas de inteligência artificial para produzir peças, incluindo uma simulação que retrata a prisão do presidente Lula por autoridades americanas.

A matéria informa que Marçal chegou a declarar que Flávio Bolsonaro foi a primeira pessoa com quem falou após registrar sua própria candidatura — já considerada inelegível — e que, em mensagens à reportagem, disse que a possibilidade de integrar um eventual governo de Flávio "está em aberto". Um integrante da campanha do senador, porém, afirmou que não há conversas sobre a participação oficial do influenciador.

Além de publicações em redes, Marçal tem estimulado seguidores a ingressarem em um canal de WhatsApp chamado “Tropa do Flávio”, voltado para mobilizar e orientar apoiadores na reta final da campanha. A reportagem relata também que, até dias atrás, a biografia do influenciador no Instagram trazia a expressão "Equipe Flávio Bolsonaro 22", que foi retirada após ação do PT no TSE que questiona uso irregular de perfis para propaganda eleitoral.

Segundo a coluna Painel citada pela reportagem, Marçal participa da definição de proposta de governo do candidato do PL, ajudando a estruturar projeto para um novo Ministério da Prosperidade ao lado de integrantes da coordenação econômica, como Daniella Marques, e do empresário Filipe Sabará. A campanha de Flávio, porém, afirmou que Marçal não integra oficialmente a estrutura da campanha.

A cobertura registra ainda que o PT protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) no Tribunal Superior Eleitoral, pedindo a cassação da chapa de Flávio por suposto uso irregular dos perfis de Marçal para disseminação de propaganda e informações falsas. A peça lembra que o registro de candidatura de Marçal à Presidência foi rejeitado pelo TSE em 11 de setembro, em razão de inelegibilidade imposta pelo TRE-SP.

A reportagem documenta controvérsias anteriores envolvendo Marçal, como episódios nas campanhas municipais em que foi alvo de decisões da Justiça Eleitoral, e descreve a transformação do influenciador em peça de capilaridade digital para a campanha de Flávio, com ações coordenadas em redes sociais e em plataformas de mobilização digital.