Durante o debate promovido pela TV Globo na noite de sexta‑feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perguntou ao senador Flávio Bolsonaro por que ele havia chamado o Bolsa Família de "bolsa‑farelo" em publicações antigas. A pergunta referia‑se a postagens anteriores do parlamentar, mas, segundo a cobertura, Flávio não respondeu à questão no estúdio.

A reportagem registra que a expressão foi usada por Flávio quando ele era deputado estadual do Rio de Janeiro. Em novembro de 2011, ele aplicou o termo ao programa estadual Renda Melhor — que complementava em até R$ 300 benefícios do Bolsa Família — e votou sozinho contra a iniciativa na Assembleia Legislativa, alegando que era clientelista; em junho de 2013 ele voltou a empregar a expressão, acusando o PT de perpetuar a pobreza para manter votos.

Segundo a matéria, as publicações com o termo foram posteriormente apagadas da conta de Flávio no X; a remoção foi confirmada a partir de arquivos baixados e citados pelo jornal Estadão em cobertura anterior. No debate, o episódio foi citado como parte do confronto sobre programas sociais na reta final da campanha.

A cobertura também recorda declarações mais recentes da equipe de Flávio: a coordenadora econômica Daniella Marques havia dito que um eventual governo adotaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família; a fala sofreu repercussão e foi classificada pela coordenadora como distorcida. Além disso, Flávio gravou vídeo afirmando que manteria o benefício e detalhando uma regra de transição para famílias que conseguirem emprego formal.

O encontro na TV Globo foi o último debate antes do segundo turno, marcado para domingo (25). A matéria não traz resposta de Flávio à pergunta feita por Lula sobre o uso do termo "bolsa‑farelo", limitando‑se a registrar a cobrança feita pelo presidente e a ausência de esclarecimento no estúdio.