Uma carta aberta divulgada na quinta‑feira por um grupo de 35 bispos de diferentes dioceses do país afirma que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) constitui “uma ameaça à existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”. O documento, segundo a fonte, foi divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo e é assinado por religiosos de várias regiões do Brasil.
No texto, os signatários pedem que os católicos votem “em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres” e descrevem o cenário eleitoral como “muito grave”. A carta afirma que não se trata apenas de uma escolha eleitoral rotineira, mas da possibilidade de “uma mudança profunda nos rumos da nação”, citando exemplos históricos do século XX.
Os bispos apontam pontos de antagonismo entre o ensinamento social da Igreja e “uma das candidaturas em disputa”. Sem sempre citar nomes, o documento afirma que a candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6×1 “não reconhece a dignidade do trabalhador”, menciona promessa de submissão aos Estados Unidos e acusaum candidato de ter participado de conspiração para taxar produtos brasileiros, referência a medidas externas citadas na carta.
O texto também alude ao fato de que um dos candidatos é “filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia”, e diz que esse candidato teria feito declarações que configurariam “ameaça à ordem constitucional”; segundo a carta, se eleito ele “governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF”.
Entre as pautas criticadas pelos bispos estão a liberação do acesso às armas, posicionamentos contrários às orientações da Igreja sobre trabalho e respeito à dignidade humana, além de divergências em relação à agenda ambiental e ao combate à pobreza. A carta cita ainda outra candidatura que, embora sujeita a críticas, “sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática”.
A lista de signatários inclui nomes citados pela fonte, como dom Evaristo Pascoal Spengler (Diocese de Roraima), dom Adolfo Pereira (Diocese do Alto Solimões), dom Joaquim Hudson de Souza a Ribeira (Manaus) e dom Egídio Bisol, bispo emérito da Diocese de Afogados da Ingazeira.

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