A União Nacional dos Estudantes (UNE) passou a organizar e a participar de manifestações em várias cidades às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, afirmou à Agência Brasil a presidente da entidade, Bianca Borges. Segundo ela, milhares de estudantes — predominantemente universitários, com participação de secundaristas e grêmios — têm ido às ruas para defender a democracia e a educação pública e para se posicionar sobre candidaturas e propostas.

Bianca Borges relacionou a retomada das ruas à preocupação com o "futuro do país" e com o que a UNE avalia como risco de avanços autoritários. A dirigente recuperou trajetória histórica de mobilizações estudantis em momentos políticos decisivos e afirmou que a atual mobilização incorpora reivindicações concretas, como a recomposição do financiamento das universidades e a ampliação da assistência estudantil para garantir a permanência de alunos de baixa renda.

A presidente da UNE relatou que as mobilizações começaram nas universidades e se espalharam: citou como exemplo um ato que começou na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, onde uma assembleia estudantil tomou a rua, e mencionou manifestações em locais como a Candelária, no Rio de Janeiro, convocadas também por estudantes de colégios federais. Ela afirmou haver episódios recentes de ameaças a instituições e lembrou incêndios ocorridos em universidades que estão sob apuração.

Bianca também criticou medidas e posturas que, na avaliação da UNE, atacaram o caráter público da universidade nos últimos anos, como políticas de desfinanciamento e nomeações de reitores interventores. Entre as medidas que preocupa a entidade ela citou a proposta anunciada por um dos presidenciáveis de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação para outro ministério com orçamento inferior, o que, segundo a UNE, poderia reduzir a autonomia e o papel público das instituições.

A dirigente defendeu que a organização estudantil se mantenha além do calendário eleitoral para transformar reivindicações em direitos e afirmou que a UNE apoia a candidatura que, segundo a entidade, representa garantia de continuidade de avanços na educação. A entrevista também abordou a trajetória pessoal de Bianca Borges e as pautas concretas apontadas pela UNE, como a consolidação de um Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto.