Alfredo Gaspar, apresentado por Flávio Bolsonaro como candidato a vice na eleição de 2026, é formado em Direito, ingressou no Ministério Público de Alagoas em 1996 e ocupou funções de destaque na área de segurança pública. Em Alagoas, coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC) e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), além de ter chefiado a Secretaria de Defesa Social do estado e ter sido procurador‑geral.
No campo político, Gaspar tem raízes familiares ligadas a figuras tradicionais de Alagoas e relações com nomes como Fernando Collor de Mello: seu pai trabalhou em Organizações Arnon de Mello e coordenou campanha de Collor em 2010. Gaspar também foi candidato a prefeito de Maceió em 2020 e, depois, secretário de Segurança antes de eleger‑se deputado federal em 2022.
Na Câmara, Gaspar concentrou sua atuação em temas de segurança pública e combate à corrupção. Assinou 116 proposições e teve cerca de um terço de suas 44 iniciativas próprias voltadas a segurança; muitas propostas replicam projetos já existentes de parlamentares anteriores. Ganhou maior visibilidade nacional ao assumir, entre agosto de 2025 e março de 2026, a relatoria da CPMI do INSS, cujo relatório, rejeitado, pedia indiciamentos de ex‑ministros e outras autoridades.
O fim da CPMI marcou também a divulgação de acusações graves contra Gaspar: em sessão e em entrevista coletiva foi mencionada uma denúncia de que ele teria engravidado uma adolescente anos antes. A Polícia Federal chegou a ser acionada para investigar suposto estupro; porém, o ministro Gilmar Mendes, do STF, acolheu pedido da Procuradoria‑Geral da República e arquivou em decisão na qual apontou ausência de base indiciária suficiente para abrir inquérito, citando falta de consistência entre os elementos apresentados.
Além disso, em 2024 Gaspar destinou cerca de R$ 6 milhões em emendas do tipo “emenda Pix” à prefeitura de São José da Laje (AL). Em 2026 essas transferências foram alvo de auditoria do Tribunal de Contas da União, que questionou a forma de aplicação dos recursos e cobrou comprovação em prazo de 12 dias, diante de movimentações que dificultaram o rastreamento dos gastos. A partir da auditoria, a Superintendência da Polícia Federal foi acionada para apurar indícios de crime em emendas apontadas pelo TCU.
Gaspar nega as acusações que lhe foram atribuídas e, por meio de sua assessoria, atribuiu a prestação de contas e a execução de emendas às prefeituras beneficiadas. No Congresso, embora tenha relatado projetos de destaque para a sua agenda — como medidas sobre punições a crimes hediondos e regras de indenização para atingidos por desastres —, até o momento nenhum projeto de sua autoria se transformou em lei federal, segundo levantamento das matérias citadas na reportagem.


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