A Polícia Federal ampliou a apuração que envolve o advogado e empresário Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro, reunindo documentos e registros que referenciam a contratação da empresa vencedora de um pregão da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O procedimento tramita no Supremo Tribunal Federal por envolver prerrogativa de foro, com relatoria do ministro sorteado.

Documentos oficiais consultados pela reportagem identificam o Contrato nº 003/2023 vinculado ao processo SEI-150162/000531/2022 e apontam a RioPag S.A. (antiga Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia S.A.) como favorecida. O objeto do contrato é a prestação de serviços de processamento de pagamentos para as loterias do Estado do Rio de Janeiro, e termo aditivo registrou remuneração variável e percentual de repasse à autarquia.

A investigação concentra diferentes eixos: análise de estruturas societárias, movimentações financeiras, pagamentos a prestadores de serviços, despesas de viagens e mensagens que possam indicar vínculos pessoais ou de controle de fato sobre empresas. Entre os pontos verificados pela PF estão negociações no certame que levaram a ajuste do percentual de repasse e registros de relação institucional entre empresas do setor de apostas e a Loterj.

Além dos elementos administrativos, o inquérito apura hipóteses sobre repasses e eventuais benefícios a terceiros — citando pagamentos que teriam como destinatário final o ex‑deputado Alexandre Ramagem — e registros que ligariam Willer Tomaz a gastos com deslocamentos do senador e familiares. As informações públicas até o momento não demonstram, por si só, responsabilidade penal; a PF busca, agora, estabelecer origem de recursos, controle societário efetivo e eventual correlação entre as operações investigadas.