A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar supostos crimes financeiros decorrentes da relação entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado e empresário Willer Tomaz. O procedimento foi remetido ao Supremo Tribunal Federal e distribuído na última sexta‑feira (16), com o ministro Alexandre de Moraes como relator.

Segundo relatos à imprensa, a apuração está sob coordenação do núcleo de combate à lavagem de dinheiro e evasão de divisas da Polícia Federal. A investigação investiga a atuação de Willer Tomaz em eventuais indícios de favorecimento a uma empresa de apostas esportivas e possíveis fraudes em pregão da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro).

A apuração teve início a partir de informações obtidas na nuvem de dados de Willer Tomaz, que foi alvo de busca e apreensão em agosto no âmbito da Operação Sem Desconto. A análise dos arquivos aponta movimentações bancárias de “elevada materialidade” e circulação antecipada de documentos vinculados a processos judiciais, segundo as informações divulgadas.

Em relação a Flávio Bolsonaro, a investigação registra indício de que o candidato teria dividido uma conta bancária com Willer, apontado em troca de e‑mails entre uma instituição financeira e o escritório do advogado. Fotografias extraídas do celular de Willer também teriam sido citadas pelos investigadores para demonstrar proximidade entre os dois, com referências a encontros e festas.

O inquérito menciona ainda elevada movimentação em plataformas de apostas associada ao advogado — com registros que chegaram a R$ 35 milhões — e saques em casas de apostas no exterior, além de relação de Willer com o ex‑governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, ligada a apuração sobre um pregão presencial da Loterj cuja suspeita é de facilitação de interesses da empresa vencedora. A investigação pondera, contudo, que alguns indícios ainda exigem aprofundamento.

A assessoria de Flávio Bolsonaro negou a existência da conta bancária conjunta. Willer Tomaz também divulgou nota afirmando que as informações não correspondem à verdade. A CNN procurou as assessorias de ambos e, conforme a matéria consultada, aguardava posicionamento oficial. Flávio Bolsonaro já é alvo de outras apurações no STF, incluindo investigação relacionada ao filme “Dark Horse”.