Pesquisadores brasileiros elaboraram a proposta denominada IA Desplugada para ampliar o uso de tecnologias de inteligência artificial em escolas e redes de ensino que convivem com restrições de conectividade, infraestrutura e acesso a equipamentos. A iniciativa foi desenvolvida pela Cátedra UNESCO/UNITWIN em IA Desplugada na Educação e pelo Instituto IA.Edu.

O estudo intitulado “IA Desplugada na Educação: Práticas, Desafios e Caminhos a Seguir no Sul Global” discute como projetar soluções de IA considerando desde a concepção as condições reais de escolas localizadas em regiões com menos infraestrutura tecnológica, em vez de adaptar posteriormente ferramentas pensadas para ambientes com alta conectividade.

Os autores estabelecem cinco princípios orientadores: adequação à infraestrutura disponível; funcionamento sem necessidade de internet contínua; mediação ativa dos professores; possibilidade de compartilhamento de equipamentos; e baixa complexidade técnica para estudantes e educadores. Na prática, a abordagem tem sido aplicada no desenvolvimento de tutores inteligentes de matemática com processamento offline e em plataformas de apoio à produção textual mediadas por professores.

Segundo o Instituto IA.Edu, as soluções vinculadas ao ecossistema da IA Desplugada já alcançam mais de 100 mil estudantes da rede pública. Pesquisadores envolvidos no projeto incluem Marcela Lorenzoni R. Rabin (diretora de operações do Instituto IA.Edu), Ig Ibert Bittencourt (titular da Cátedra UNESCO) e outros acadêmicos citados no estudo.

A proposta ganhou projeção internacional ao ser apresentada durante a Semana da Aprendizagem Digital 2026, promovida pela UNESCO em Paris, onde os pesquisadores também debateram temas como governança da IA, cooperação internacional e estratégias para ampliar o acesso a tecnologias educacionais em diferentes realidades sociais e econômicas.