O peixe‑leão (Pterois volitans), espécie invasora e predadora voraz, vem se espalhando em larga escala pelo litoral do Nordeste, com registros e capturas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e no sul da Bahia, incluindo observações em unidades de conservação como Abrolhos.

Em Fernando de Noronha, onde a espécie está mais estabelecida, 138 exemplares foram capturados em uma operação com mergulhadores da Sea Paradise. No arquipélago há o principal programa estadual de combate, coordenado pelo governo de Pernambuco com orientação técnica do ICMBio; desde agosto, 27 ações de captura somaram 391 exemplares no programa pernambucano.

Em Porto Seguro, no sul da Bahia, a prefeitura paga R$ 10 por exemplar e recebeu 966 peixes‑leão entregues pela colônia de pescadores — 442 em agosto e 524 em setembro — parte dos quais foi encaminhada à Universidade Federal do Sul da Bahia para pesquisa. Também houve registros de captura em Salvador e Ilhéus, além de aparições documentadas em localidades de Alagoas e do Ceará.

Pesquisadores e oceanógrafos ouvidos destacam o potencial danoso da espécie: adapta‑se com facilidade, reproduz‑se rapidamente, não tem predadores naturais conhecidos no litoral brasileiro e pode reduzir a biodiversidade dos recifes ao predar espécies nativas menores. Há ainda risco à saúde humana por espinhos que liberam toxina capaz de causar dor intensa e, em casos graves, convulsões.

Especialistas criticam a ausência de um monitoramento sistemático no país, o que dificulta avaliar a extensão da ocupação, o tempo de recolonização e os impactos sobre as espécies nativas. Eles alertam ainda que, se o peixe‑leão alcançar o litoral do Sudeste — incluindo Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo — o custo e a complexidade de controle devem aumentar significativamente.