Participantes de um grupo de pesquisa qualitativa acompanharam, em uma casa na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, o primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) promovido no domingo, 18. A dinâmica, feita em uma “sala de espelho”, permitiu que a reportagem observasse os comentários sem ser vista pelos participantes.

Durante a transmissão, os eleitores usaram cartões coloridos para sinalizar reação: verde para aprovação, amarelo para neutralidade e vermelho para reprovação. Segundo a análise feita por Dorgan a pedido do Estadão, as críticas ao debate foram unânimes entre os três grupos acompanhados: os participantes consideraram que faltou discussão qualificada e sobrou baixo nível no confronto.

A reação em cartões indicou vantagem proporcional de avaliações positivas a Lula: 44,79% dos cartões recebidos pelo petista foram verdes, ante 39,06% para Flávio; os vermelhos corresponderam a 35,42% das avaliações de Lula e 46,88% das de Flávio. Cartões amarelos representaram 19,79% das reações a Lula e 14,06% às falas do senador.

No grupo, eleitores indecisos continuaram divididos: ao menos uma participante que estava indecisa afirmou ter sido convencida por Lula, citando falta de propostas e de “maturidade” de Flávio; outros três indecisos permaneceram sem conclusão, dois tendendo a Flávio e um podendo optar por Lula ou anular o voto no próximo domingo, 25.

Os principais pontos criticados foram o tom emocional e agressivo do primeiro bloco, a ausência de respostas do senador em questionamentos sobre votos e posicionamentos e o estilo de Lula de elogiar o próprio governo, que parte dos participantes avaliou como diagnóstico otimista sem propostas claras. A pesquisa qualitativa, ressalta a cobertura, tem caráter analítico e não possui rigor estatístico comparável a levantamentos de intenção de voto.