Os planos de governo dos candidatos à Presidência apresentados para a área de educação apontam prioridades distintas. O documento de Luiz Inácio Lula da Silva defende a educação como instrumento de mobilidade social e prioriza a ampliação da educação em tempo integral em todas as etapas da educação básica, com jornada mínima equivalente a sete horas diárias ou 35 horas semanais. O objetivo declarado é superar a marca de 25,8% de matrículas em tempo integral, alcançando 1,8 milhão de matrículas entre 2023 e 2025 e ampliar ainda mais essa cobertura em um novo mandato.
Lula também prevê a construção de 3.562 creches e pré‑escolas em 2.360 municípios por meio do Novo PAC, com mais recursos a estados e municípios, além da retomada de obras de equipamentos educacionais paralisados. No campo da alfabetização e recuperação de aprendizagem, o programa cita a meta de alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030 no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e a instituição de uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração das aprendizagens, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.
No que se refere à formação e valorização docente, o plano de Lula inclui medidas para aumentar a atração por licenciaturas, programas como o Pé‑de‑Meia Licenciatura e reforço do Bolsa Mais Professores para atrair e manter profissionais, além de ampliar o acervo de recursos digitais do MEC. Para a educação técnica, a proposta prevê expansão da rede de Institutos Federais, com prioridade a interiorização, periferias urbanas e municípios com baixa oferta, anunciando 111 novos IFs em 106 municípios.
O programa de Flávio Bolsonaro coloca a família no centro das políticas públicas e defende “uma escola que ensina, e não que doutrina”. Entre as medidas em destaque está a expansão das escolas cívico‑militares, a reformulação do ensino técnico para aproximar escolas e empresas e a criação de um voucher‑creche para famílias que não encontrarem vaga na rede pública — sem detalhamento das fontes de financiamento. Flávio também prioriza o método fônico para alfabetização e a oferta de escola em tempo integral com atividades extracurriculares e escola aberta nas férias.
Flávio propõe ainda a transferência da governança do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o argumento de aproximar graduação e pesquisa, e anuncia um “novo formato de financiamento estudantil” baseado em empréstimo contingente à renda, em que o pagamento começaria após a inserção do estudante no mercado de trabalho. O plano prevê ainda programas de estímulo à inclusão digital nas escolas com robótica, computadores, tablets e acesso à internet.
Ambos os programas incluem propostas para educação profissional: Lula relaciona expansão de vagas e interiorização dos Institutos Federais e investimento em infraestrutura de universidades e hospitais universitários; Flávio defende maior participação do setor produtivo no financiamento e oferta de bolsas para qualificação técnica, além de priorizar capacitação docente baseada em evidências, conforme seu documento. As medidas apresentadas nas duas plataformas são compromissos de campanha e dependem de regulamentação, orçamentos e articulação federativa para implementação.




