A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrou 38 casos de violência política contra indígenas no período eleitoral de 2026, entre julho e outubro, segundo levantamento obtido pelo GLOBO.

Entre as ocorrências apontadas pela entidade há cinco assassinatos, 35 casos de racismo, 11 ameaças de morte, 18 agressões físicas e sete casos de violência de gênero. As ações relatadas ocorreram em 15 estados e afetaram 30 povos indígenas e 35 territórios, segundo o relatório.

A Apib afirma que a maior concentração dos atos ocorreu entre o início oficial da campanha e o primeiro turno, com 18 registros; o levantamento indica ainda 13 ocorrências no contexto do segundo turno e seis episódios após o encerramento do pleito.

A organização citou episódios em Mato Grosso do Sul, entre eles assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia e denúncias de tentativa de envenenamento da água em Tacuru e Nioaque. Após as denúncias, o Ministério dos Povos Indígenas encaminhou casos à Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriu procedimentos para apurar ataques e intimidações no estado.

Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Apib pediu que o governo federal adote medidas urgentes para proteger comunidades indígenas e coibir ataques. Parlamentares ligados à causa também protocolaram ofícios cobrando providências de ministérios, do MPF e do Tribunal Superior Eleitoral.

A reportagem registra que há investigações em andamento e posições divergentes em apurações locais: em ao menos um caso em Naviraí a investigação concluiu por motivação interpessoal, enquanto outras denúncias permanecem sob análise de autoridades federais e estaduais.