Neste domingo, data do segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) chega à votação sob impacto político de investigações e apurações em estágios distintos conduzidas por órgãos como a Polícia Federal e que também passaram por decisões do Judiciário. O material em análise envolve diferentes frentes: o inquérito sobre recursos relacionados ao filme Dark Horse, apurações sobre possíveis vínculos com empresas de apostas e a Loterj, e investigações sobre um financiamento concedido pelo BRB.

O caso conhecido na imprensa como das “rachadinhas”, relativo a movimentações financeiras vinculadas ao ex‑assessor Fabrício Queiroz, teve elemento decisivo processual: em 30/11/2021 a Segunda Turma do STF anulou quatro dos cinco relatórios do Coaf usados na denúncia, e decisões do STJ também invalidaram provas. Com a perda do conjunto probatório, o Ministério Público pediu a extinção do processo e, em 16/05/2022, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a denúncia por ausência de justa causa, registro que não equivale a absolvição no mérito.

Entre as investigações em andamento, a Polícia Federal aprofundou em 2026 a apuração sobre recursos para a produção de Dark Horse. Em 22/07/2026 Flávio passou formalmente a integrar o inquérito depois da autorização do ministro André Mendonça, do STF, para a PF avançar nas diligências. A PF apontou divergência contábil sobre valores enviados ao exterior — cerca de US$ 12,33 milhões registrados por uma parte dos documentos contra cerca de US$ 2,817 milhões em contratos cambiais — e solicitou prorrogação de 90 dias em 16/10/2026 para concluir perícias e pedidos de cooperação internacional.

Outra frente investiga a relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, com inquérito remetido ao STF em 16/10/2026 sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A PF apura suspeitas envolvendo lavagem de dinheiro, evasão de divisas e eventuais vínculos econômicos com estruturas empresariais ligadas a Tomaz, incluindo a BestBet. Entre os elementos citados pelos investigadores estão registros de viagens pagas por empresas associadas ao advogado e indicação de que Flávio teria sido cadastrado como “usuário master” em conta de uma holding ligada a Tomaz, hipótese que a defesa nega e que consta de pedido para retirada do cadastro em 22/05/2025.

Há ainda apurações separadas sobre uso de emendas parlamentares na cadeia de financiamento do filme: operações com objetos e relatorias próprias levaram a buscas em setembro de 2026 contra o deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama, em inquérito que investiga eventual desvio de recursos públicos destinado a projetos sociais e esportivos e sua eventual transferência à produção cinematográfica.

O financiamento de R$ 3,1 milhões concedido pelo Banco de Brasília para a compra de imóvel no Lago Sul (Brasília) também voltou a ser examinado em 2026 no contexto das investigações sobre relações entre o BRB e o Banco Master. Uma auditoria independente contratada pelo BRB após mudança de direção encaminhou informações às autoridades sobre operações da gestão anterior; o ponto de apuração é se houve flexibilização indevida de critérios ou favorecimento na concessão do crédito. A defesa de Flávio sustenta a regularidade do contrato e afirma que o empréstimo foi quitado em cerca de três anos.

Outros fatos citados pela reportagem que integram o conjunto de apurações incluem investigação sobre repasses a entidades beneficiárias de emendas (com foco no Ifop e em recursos de cerca de R$ 199 mil), mensagens entre assessoria de Flávio e pessoas condenadas por participação em organização criminosa, e disputa judicial envolvendo direitos sobre imóvel em Angra dos Reis que o jogador Richarlison afirmou ter perdido. Flávio Bolsonaro nega irregularidades nas apurações e afirma que muitos dos elementos ainda não demonstram participação direta em ilícitos.

A cobertura ressalta a diferença entre investigação e condenação: a existência de inquérito, diligência ou suspeita não implica culpa, e decisões que anulam provas processuais motivaram o encerramento formal de alguns processos sem julgamento de mérito. As investigações em curso dependem de perícias, cooperação internacional e análise complementar para eventual oferta de denúncia ou arquivamento.