Pais entrevistados pela reportagem descrevem escolhas cotidianas para ampliar as opções de brincadeira das crianças: em São Paulo, por exemplo, um menino de 3 anos ganhou sapatilha e dança balé com a mãe; outra família passou a oferecer bonecas e kits de enfermagem a um menino de 2 anos após a escola ampliar o contato das crianças com diferentes brinquedos.
Especialistas ouvidas afirmam que estimular brincadeiras sem limitar gênero favorece o desenvolvimento ao permitir experimentação de papéis, emoções e habilidades distintas. A psicóloga Lu Farcetta recomenda questionar divisões tradicionais e inverter o gênero imaginado em brincadeiras para romper padrões naturalizados.
O relatório Gênero e violência: prevenção e resposta, do Unicef, é citado como referência ao mostrar que as distinções entre meninas e meninos surgem na primeira infância, quando são estimulados a tipos distintos de brincadeira e de expressão emocional; o documento também relaciona estereótipos a expectativas sobre os lugares sociais que adultos ocupam.
Pais e mães relatam enfrentarem comentários e constrangimentos fora de casa, e especialistas orientam diálogo aberto com as crianças para prepará‑las para situações adversas. Em depoimentos, responsáveis afirmam procurar não direcionar brinquedos por gênero, apresentando opções diversas para respeitar o gosto individual de cada criança.




