Um estudo publicado na revista Science e reportado pela equipe da Universidade de Northwestern descreve um reservatório de água localizado a aproximadamente 660 quilômetros abaixo da superfície terrestre. Segundo a pesquisa, a água não aparece como um oceano livre, mas fica incorporada na estrutura cristalina do mineral ringwoodita, presente na chamada zona de transição do manto.
Os pesquisadores combinaram registros sísmicos da rede USArray, nos Estados Unidos, com experimentos de laboratório realizados sob pressão extrema. Esses testes mostraram que a ringwoodita atua como uma espécie de esponja: atrai hidrogênio e retém líquido de maneira estável nas profundezas, e a fusão de rochas a mais de 600 quilômetros mantém esse líquido contido.
Com base em medições e cálculos, os autores estimam que, se apenas 1% da massa rochosa da zona de transição contiver ringwoodita, o volume de água retido equivaleria a quase três vezes a quantidade presente em todos os oceanos da superfície. Análises complementares citadas pela reportagem sugerem que a zona poderia, em teoria, absorver até seis vezes o volume dos oceanos.
A descoberta tem implicações para a compreensão da origem da água terrestre e do ciclo hidrológico do planeta. Os pesquisadores argumentam que o reservatório profundo poderia manter estável, ao longo de milhões de anos, o nível dos mares ao funcionar como uma bacia subterrânea contínua, e reforçam a ideia de que grande parte da água superficial tem origem interna, transportada por processos tectônicos.
Os autores e a cobertura ressaltam, porém, que a reserva não se comporta como um oceano convencional: não há marés ou correntes livres, e detalhes sobre o estado físico preciso da água, seu volume exato e os mecanismos de circulação ainda dependem de investigações adicionais. A descoberta reabre debates sobre as vias de transporte de água entre interior e superfície do planeta.




