Um estudo da marca de cibersegurança Norton (Norton Insights Report: Connected Kids) aponta que 17% dos pais de crianças e adolescentes no Brasil afirmam que seus filhos já foram vítimas de cyberbullying. A pesquisa destaca que o assédio digital deixou de ser restrito ao ambiente escolar e ocorre com frequência em jogos online, redes sociais e outros espaços virtuais.
Entre os agressores identificados pelos pais que relataram episódios, os perfis mais citados foram jogadores online (31%) e desconhecidos na internet (31%). Perfis falsos ou contas fraudulentas foram apontados por 29% dos entrevistados; adolescentes mais velhos ou jovens adultos por 24%; e colegas de escola por 17%.
O levantamento também chama atenção para o uso de ferramentas automatizadas: 14% dos pais relataram que o assédio foi praticado por contas geradas por inteligência artificial ou bots, o que, segundo a pesquisa, intensifica desafios para a segurança dos menores no ambiente digital.
O cyberbullying pode se manifestar de maneiras variadas, segundo o material, incluindo mensagens ofensivas, ameaças, vazamento de dados privados (doxxing), exclusão proposital de grupos e criação de imagens falsas (deepfakes) para humilhar a vítima. A rapidez de circulação das publicações e o anonimato dos agressores aumentam a exposição das vítimas.
Especialistas ouvidos pela Norton destacam sinais que pais e responsáveis devem observar fora das telas, como isolamento social, perda de interesse por atividades habituais e alterações no sono ou apetite. Iskander Sanchez‑Rola, diretor sênior de IA e Inovação da Norton, afirmou que, diferentemente do bullying tradicional, o cyberbullying 'atravessa as telas e invade a casa da criança', ressaltando a permanência e o alcance das publicações ofensivas.
Para prevenir e conter o assédio digital, a pesquisa retoma recomendações práticas: manter diálogo aberto com as crianças sobre a rotina digital; preservar evidências por meio de capturas de tela; bloquear e denunciar perfis e conteúdos nas plataformas; revisar configurações de privacidade; e, em casos graves ou persistentes, acionar escola, autoridades policiais ou apoio psicológico.




