O ex‑banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em proposta de colaboração premiada, citada em reportagem do UOL, que ACM Neto e Antônio Rueda atuaram na intermediação de aplicações de instituições públicas e fundos de previdência no Banco Master em troca de uma comissão equivalente a 10% dos recursos captados — ou, alternativamente, 1% ao ano enquanto os recursos permanecessem aplicados. A proposta atribui a essas articulações a entrada de aproximadamente R$ 2 bilhões no banco.
Segundo a versão apresentada por Vorcaro, a suposta intermediação envolveria operações junto ao Rioprevidência (Rio de Janeiro), à Amapá Previdência (Amprev), à Amazonprev (Amazonas) e à Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). O documento citado relaciona mensagens, contratos e registro gerencial de valores como elementos de sustentação do relato, incluindo um registro de 13/11/2023 mencionado pelo proponente.
A proposta não informa, porém, quanto teria sido efetivamente pago aos supostos intermediários. A reportagem registra ainda discrepância entre os R$ 2 bilhões citados por Vorcaro e o volume conhecido de aplicações das quatro instituições apontadas, estimado em cerca de R$ 3,62 bilhões, e observa que o documento não descreve atos concretos praticados por ACM Neto ou Antônio Rueda junto a cada fundo que permitam estabelecer relação direta de causa entre atuação política e decisões de investimento.
Fontes de documentos citadas pela reportagem apontam montantes muito inferiores aos R$ 200 milhões que corresponderiam, na hipótese do cálculo de 10% sobre R$ 2 bilhões: relatórios da investigação e quebras de sigilo teriam indicado pagamentos da ordem de R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda entre 2022 e 2025 e R$ 5,4 milhões para consultoria vinculada a ACM Neto entre 2023 e 2025. Essas cifras constam do conjunto documental referenciado pelo material, segundo a reportagem.
A proposta de colaboração apresentada por Vorcaro não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria‑Geral da República, conforme o texto, e os dois políticos negam integralmente as acusações. Antônio Rueda afirmou que os contratos de advocacia eram lícitos e correspondem a serviços prestados; ACM Neto qualificou as insinuações como "absurdas" e questionou a autenticidade e validade do material, além de dizer que estava à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O material destaca limites objetivos da proposta: ausência de detalhamento sobre quais operações compõem a base do cálculo da suposta comissão, falta de descrição de atos concretos de intermediação junto às entidades que aplicaram recursos e inexistência de indicação de quanto, se algo, teria sido de fato transferido aos citados. O esclarecimento do caso, segundo a reportagem, dependerá do confronto entre contratos, extratos e quebras de sigilo com a finalidade atribuída na delação.


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