O cientista político Antonio Lavareda afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva venceu o debate realizado na TV Globo na sexta‑feira (23) por uma margem clara, embora não esmagadora. Lavareda é presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) e presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).
De acordo com o pesquisador, Lula começou o confronto irritado e nem sempre administrou bem o tempo, mas, a partir do segundo bloco, passou a relacionar sua biografia às políticas sociais e a apresentar realizações concretas nas áreas de renda, crédito e educação. Lavareda citou ainda que o presidente obteve resposta pública de Flávio sobre a votação da licença‑maternidade e ouviu um pedido de desculpas pelo ataque dos “nove dedos”.
Lavareda considerou que o momento mais forte de Lula no debate foi quando o presidente mencionou o caso Ana Clara, lembrando a defesa do policial suspeito por Flávio Bolsonaro; segundo o cientista político, a pergunta sobre a defesa do policial colocou o senador em posição defensiva e permitiu que Lula combinasse autoridade, experiência e proteção às vítimas.
Na avaliação do especialista, Flávio Bolsonaro teve seus melhores momentos ao tratar de temas como preço de alimentos, endividamento, juros e segurança pública, produzindo frases de fácil circulação nas redes. Ainda assim, Lavareda apontou perda de força do senador por uso excessivo de bordões, imprecisões e falta de detalhamento em propostas como o “tesouraço”.
Sobre o impacto eleitoral do confronto, Lavareda afirmou que o debate tende a favorecer Lula especialmente entre indecisos, mulheres e eleitores menos ideologizados sensíveis a programas sociais e à proteção de vítimas, enquanto Flávio teria preservado sua base, mas desperdiçado possibilidade de ampliar vantagem.
O cientista político observou por fim que debates isolados podem provocar movimento de alguns décimos ou cerca de um ponto nas intenções de voto, mas, isoladamente, não permitem afirmar que a eleição tenha virado, pois a cristalização de preferências e o diferencial de comparecimento seguem decisivos.


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