Clauro Roberto de Bortolli, chefe do Ministério Público Militar (MPM) e autor da ação que pede ao Superior Tribunal Militar (STM) a perda do posto e da patente do ex‑presidente Jair Bolsonaro, foi condecorado com a Medalha Mérito Estado‑Maior Conjunto das Forças Armadas. A concessão consta em publicação do Diário Oficial da União na sexta‑feira, 9 de outubro, assinada pelo almirante de esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire.

A condecoração foi concedida a Bortolli junto a outros seis civis e 59 militares, segundo o documento oficial. Bortolli é o procurador‑geral do MPM; sua recondução ao cargo foi oficializada em abril por portaria mencionada na reportagem. No processo do MPM apresentado ao STM, o órgão pede a perda do posto e da patente de Bolsonaro, que é capitão da reserva, e de outros quatro militares condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.

Natural de General Câmara, cidade a 80 km de Porto Alegre, Bortolli ingressou no Ministério Público Militar em 1995, foi promovido a procurador de Justiça Militar em 1998 e a subprocurador‑geral de Justiça Militar em 2016. Entre 2016 e 2017, presidiu a Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM) e foi vice‑procurador‑geral de Justiça Militar entre 2020 e 2024.

No processo que trata da perda de postos, o MPM afirma que Bolsonaro, valendo‑se de estruturas do Estado, voltou‑se contra o funcionamento dos poderes constitucionais e cometeu violações éticas previstas no Estatuto dos Militares. O STM ainda não fixou data final para julgamento da ação proposta pelo Ministério Público Militar.