A campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta segunda‑feira (19) com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação presidencial da chapa de Flávio Bolsonaro (PL, senador), alegando “manipulação algorítmica” pela Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp. Os advogados afirmam que sistemas de recomendação, ferramentas de inteligência artificial generativa e mecanismos de revisão de anúncios passaram a operar em benefício da candidatura adversária, prejudicando Lula.
A peça (Aije) aponta episódios diversos, entre eles relatos sobre a ferramenta Grok, do X, que teria gerado propaganda ligada a Flávio e se negado a gerar para Lula, e a recomendação indevida de canais e perfis no WhatsApp e Instagram. A ação cita reportagem da Folha de S.Paulo com mensagens internas em que funcionários da Meta teriam admitido que a conta de Lula ficou “limitada” e que canais ligados a Flávio foram recomendados algoritmicamente, prática vedada pelo TSE.
Os advogados também mencionam o que definem como amplificação algorítmica “atípica” de perfis como o do deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG), com diferenças de alcance consideradas anômalas. A Aije inclui levantamentos comparativos de engajamento e visualizações — por exemplo, testes em que um mesmo vídeo teria engajado muito mais no Instagram de Nikolas do que em outras plataformas — como elemento para sustentar indícios de favorecimento.
A ação requer, entre outras providências, acesso a informações sobre o funcionamento dos algoritmos da Meta e às mensagens internas da empresa, como forma de demonstrar uso indevido dos meios de comunicação social e eventual abuso do poder econômico. A campanha de Lula já havia tomado outras medidas judiciais e pedido ações corretivas ao TSE nas semanas anteriores.
Em decisões anteriores relacionadas ao tema, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou medidas para que a Meta trate as candidaturas de forma isonômica e estabeleceu multa diária por descumprimento; em 15 e 18 de outubro foram expedidas liminares com exigências à empresa e previsão de aumento da multa em caso de não observância. A Meta respondeu que as alegações de favorecimento são falsas e que alguns episódios tiveram causas distintas, além de afirmar ter proibido temporariamente a geração de imagens de candidatos e adotado medidas para evitar comandos que produzam imagens apenas com o primeiro nome ou número dos concorrentes.
A ação da campanha petista foi assinada por advogados que pedem apuração urgente, transparência e responsabilização, argumentando que indícios de interferência algorítmica comprometem a isonomia da disputa e o direito do eleitor à informação. A peça também cita impulsionamentos questionados e a vedação prevista pela legislação eleitoral sobre pagamento por impulsionamento de propaganda negativa por terceiros.



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