A campanha de Flávio Bolsonaro anunciou, em 19 de outubro, a intenção de instituir um limite temporal de dois anos para a permanência de famílias no Bolsa Família. A informação foi confirmada por Daniella Marques, coordenadora do plano econômico do candidato, em entrevista à rádio, ao afirmar que “vai ter regra de transição de dois anos [para o Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada.”
Pela proposta apresentada, os beneficiários teriam 24 meses para buscar uma fonte alternativa de sustento — emprego formal ou atividade empreendedora — ao fim dos quais seriam excluídos do programa. A campanha também anunciou a intenção de criar um Ministério da Prosperidade com iniciativas de microcrédito e capacitação profissional para incentivar a abertura de negócios.
O anúncio foi feito na reta final da disputa presidencial, e a coordenadora tratou a medida como instrumento para estimular autonomia financeira, afirmando que o Bolsa Família "é uma proteção, mas é o início de uma jornada". Segundo o material divulgado pela campanha, a transição teria caráter temporário para que as famílias “possam sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”.
O texto divulgado pela equipe econômica não detalha como seria aplicado o prazo de dois anos nem quais critérios operacionais seriam usados para avaliar beneficiários que não consigam emprego formal ou renda suficiente com empreendimentos. Tampouco especifica se haveria medidas compensatórias para localidades com escassez de vagas formais ou acesso limitado a crédito.
Especialistas e a própria reportagem citam riscos desta abordagem: em regiões com poucas vagas formais ou dificuldade de acesso a crédito, a exclusão automática após 24 meses pode deixar famílias sem fonte de renda e comprometer condicionantes como alimentação e educação de crianças. O governo de transição proposto dependeria, segundo a campanha, de programas de capacitação e microcrédito.
A proposta integra o conjunto de medidas econômicas anunciadas pela campanha, que defende mudanças na administração pública e ferramentas para promover empreendedorismo. Ainda é necessário que a campanha apresente os detalhes operacionais e critérios de avaliação para que se saiba como a regra de dois anos seria implementada na prática.



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