O senador Camilo Santana criticou nesta quarta‑feira a mudança de posição do candidato Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala de trabalho 6×1, classificando a alteração como oportunista e afirmando que o adversário "está brincando com o País". Segundo Camilo, Flávio teria se posicionado anteriormente contra o fim da escala e só mudou o voto conforme o cenário político.

Camilo comparou o candidato do PL a uma "biruta", dizendo que ele muda de direção "quando o vento parte para um lado, ele vai para aquele lado; quando parte para o outro, ele vai para o outro lado". O senador acrescentou que, embora considere positiva a mudança de voto, é preciso que a população conheça o histórico da posição anterior.

O ministro e ex-governador do Ceará também vinculou o debate sobre jornada de trabalho ao plano econômico apresentado por Flávio Bolsonaro, que prevê ajuste fiscal de R$ 250 bilhões. Na avaliação de Camilo, um corte dessa magnitude poderia atingir programas sociais, educação, saúde e políticas de valorização do salário mínimo.

Camilo relatou que, durante o governo anterior, o Ceará deixou de receber recursos federais para obras de escolas e sofreu falta de reajustes na alimentação escolar — que, segundo ele, ficou sem repasses por quatro anos — e retomou críticas à condução da pandemia e às políticas educacionais daquele período.

O senador disse ainda que, ao assumir o Ministério da Educação no governo Lula, encontrou cerca de 5,8 mil obras paralisadas ou inacabadas no país, e alertou que o ajuste defendido pelo adversário poderia significar cortes em programas como Farmácia Popular, Mais Médicos, universidades federais e políticas de ganho real do salário mínimo.

Camilo encerrou o discurso afirmando que o Brasil segue marcado por fortes desigualdades e que a melhoria das condições de vida dos trabalhadores precisa permanecer no centro do debate político.