O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) divulgou que Gisele Rosângela de Oliveira será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Timóteo. A juíza da Vara Criminal e da Infância e da Juventude de Timóteo concluiu haver indícios suficientes para levar o caso a júri; a pronúncia foi proferida em 22 de outubro, segundo o comunicado do tribunal.

De acordo com a denúncia do Ministério Público e as investigações da Polícia Civil, os homicídios ocorreram entre 2007 e 2023 nos municípios de Jaguaraçu e Timóteo. A peça acusa Gisele de administrar repetidamente substâncias tóxicas, venenos e medicamentos de uso controlado nas crianças e, em alguns episódios, de utilizar métodos de asfixia. Todas as vítimas eram menores de idade, segundo o MPMG.

Além das mortes, a acusação aponta tentativa de homicídio contra um sexto filho. A denúncia também inclui a imputação de coação no curso do processo: entre abril e setembro de 2025, Gisele teria ameaçado e constrangido testemunhas e informantes para interferir nas investigações, conforme registrado pelos órgãos responsáveis.

A decisão judicial mencionou resultados de exames toxicológicos e outros elementos reunidos durante a apuração que, segundo a juíza, indicam que substâncias identificadas no organismo das crianças teriam sido administradas em períodos nos quais elas estavam exclusivamente sob os cuidados da acusada. A juíza ressaltou que a definição definitiva sobre a dinâmica dos fatos é atribuição do Conselho de Sentença.

Gisele foi presa em agosto de 2025 em Coimbra, Portugal, após deixar o Brasil durante o avanço das investigações, e foi extraditada para responder ao processo no país. A Justiça manteve a prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade; não foi informada, no comunicado do TJMG, a data em que a sessão do Tribunal do Júri será realizada.