Sérgio Moro foi eleito governador do Paraná em primeiro turno e, em entrevista à Coluna do Estadão publicada nesta terça‑feira, interpretou o resultado como dois recados principais aos poderes: a população rejeitou o governo do presidente Lula e demonstrou preocupação com decisões da cúpula do Judiciário. Segundo Moro, parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal “perdeu a mão” e precisa ser investigada.

O futuro governador afirmou que o Judiciário deve voltar a atuar dentro da legalidade e que existe um projeto para levar à responsabilização de excessos cometidos por magistrados. Moro disse não ser radical, mas considerou que a investigação — e até a possibilidade de impeachment — pode ser necessária, avaliando que o Senado a partir de 2027 poderá analisar pedidos dessa natureza.

Entre as propostas institucionais mencionadas pelo ex‑juiz estão a defesa de mandatos de 12 anos para ministros do STF e a necessidade de investigações quando houver suspeitas de desvios. Moro afirmou que, caso o investigado não seja comprovado culpado, nada ocorrerá, mas criticou o que chamou de varrer casos “para debaixo do tapete” em Brasília e disse que o Estado do Paraná será exemplo de governo "honesto e eficiente".

Sobre a eleição presidencial, Moro disse que vai se empenhar no Paraná para aumentar a votação de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Na entrevista, ele atribuiu parte do recado das urnas à insatisfação com a situação econômica — inflação e endividamento familiar — e voltou a vincular o desempenho eleitoral conservador à percepção sobre decisões do STF durante o período eleitoral. A declaração foi concedida à Coluna do Estadão.