O Fórum Goiano Cenários do Agro foi realizado na sede do Sebrae, em Goiânia, e reuniu especialistas para analisar fatores que podem afetar as decisões dos produtores rurais na preparação para a Safra 2026/2027. Organizado pelo Sebrae Goiás, o evento abordou desde efeitos das relações internacionais sobre o agronegócio até previsões climáticas e planejamento financeiro diante da oscilação dos preços das commodities.
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, José Mário Schreiner, ressaltou a necessidade de preparar o estado para novas oportunidades de investimento no agronegócio, citando como exemplo o avanço da produção de etanol de milho e a demanda maior por biomassa, com impacto possível sobre o déficit de madeira em Goiás. O estudo citado na abertura identificou 8,2 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para conversão em florestas plantadas no estado.
O levantamento apresentado no fórum indica também uma redução da área de florestas plantadas em Goiás, de cerca de 160 mil hectares em 2020 para 140 mil hectares em 2024, ao mesmo tempo em que o consumo de madeira teria crescido aproximadamente 20% no mesmo período. Esses dados foram usados para ilustrar a necessidade de políticas e planejamento florestal capazes de aproveitar oportunidades de mercado sem agravar déficits de matéria-prima.
A influência das relações internacionais no agronegócio foi tema da palestra do professor Oliver Stuenkel (FGV), que explicou como disputas comerciais e acordos entre grandes potências podem impactar mercados, preços e disponibilidade de insumos para produtores brasileiros. O diretor superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos Souza Lima Neto, afirmou que acompanhar esses movimentos permite à instituição ajustar seu portfólio de soluções para apoiar pequenos negócios diante das mudanças.
O comportamento do clima ao início da safra recebeu atenção do pesquisador Rafael Battisti (UFG), que destacou a importância de monitorar previsões antes da semeadura, especialmente em áreas com menor volume de chuva. Em complemento, o CEO da MPrado Consultoria, Marcelo Prado, apontou a necessidade de gestão e formação de reservas durante períodos de preços altos para enfrentar ciclos de menor rentabilidade, com foco em capital de giro e planejamento de longo prazo.


