Ao longo das últimas décadas, a experiência infantil nas cidades mudou: atividades que antes ocorriam nas ruas passaram a acontecer majoritariamente dentro de casa, em escolas ou em espaços fechados. Segundo a reportagem, o crescimento urbano, associado a violência, trânsito e falta de áreas adequadas, contribuiu para reduzir a circulação das crianças nos espaços públicos.
A psicóloga infantil Ellen Cutrim explica que o brincar é fundamental para o desenvolvimento — linguagem, criatividade, coordenação motora e aprendizado de regras de convivência — e que a redução dessas oportunidades pode afetar a socialização e a autonomia das crianças. Ela ressalta ainda que, embora as telas influenciem esse cenário, também é preciso considerar segurança, disponibilidade de espaços e rotina das famílias.
O texto traz o relato de Stéfany Talita Silva Meneses, mãe solo que mora em São Luís e procura levar a filha de três anos a espaços públicos sob supervisão. Stéfany afirma que, por motivos de segurança, acompanha a criança em locais como a praia e o Parque do Rangedor, e que a filha passa boa parte do dia na creche devido à conciliação com o trabalho.
Especialistas e entrevistados defendem que garantir o direito de brincar é uma responsabilidade coletiva: famílias, escolas, comunidade e poder público devem atuar para ampliar oportunidades e oferecer lugares seguros onde crianças possam circular, conviver e desenvolver autonomia. A psicóloga destaca que brincar não exige estrutura sofisticada e que a presença do adulto, mesmo em ambientes simples, faz diferença na qualidade do tempo dedicado à brincadeira.




