A juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes acolheu, em 22 de outubro, denúncia do Ministério Público de Minas Gerais e decidiu submeter a júri popular a mulher de 40 anos acusada de matar cinco dos sete filhos e de tentar matar o primogênito e o marido. Os crimes teriam ocorrido ao longo de 15 anos, em Timóteo, no Vale do Aço.

A investigação da Polícia Civil de Timóteo, reaberta em 2023 depois do registro da última morte, reuniu depoimentos de vizinhos, parentes e médicos, além de análise de prontuários. Segundo a delegada Valdimara Teixeira de Paula Fernandes, a PCMG concluiu que a suspeita reduzia o nível de consciência das crianças por meio de medicação, dificultando a respiração e ocasionando asfixia.

As vítimas fatais tinham entre 10 meses e 3 anos, segundo a delegada. Duas crianças foram mortas em 2010, com diferença de 32 dias entre os óbitos; outras duas em 2019, em intervalo aproximado de dois meses; e o quinto caso ocorreu em 2023. As tentativas contra o primogênito e contra o companheiro teriam ocorrido em 2008 e 2022, respectivamente, e ambos sobreviveram após atendimento médico.

A suspeita deixou o país durante as apurações e foi presa em agosto de 2025 na cidade de Coimbra, em Portugal, após ação articulada entre a Polícia Civil de Timóteo, o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal em Minas Gerais e as autoridades portuguesas. Ela permanece detida e aguarda definição da data do júri.

O inquérito foi conduzido pela Delegacia de Polícia Civil em Timóteo, com apoio da Delegacia Regional em Ipatinga e supervisão do 12º Departamento da PCMG. A denúncia aceita pela Justiça agora seguirá o rito para designação de data e instruções do júri popular.