A Justiça do Rio Grande do Sul julgou procedente ação penal originada na denúncia do Ministério Público estadual e condenou 15 pessoas por associação criminosa em processo que investigou a adulteração de produtos lácteos fabricados pela Dielat, em Taquara. Treze dessas pessoas também foram condenadas pelo crime de adulteração de produtos alimentícios, segundo a sentença assinada pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

A decisão atribuiu as maiores penas a Antônio Ricardo Colombo Sader, apontado como proprietário da empresa, e a Tales Bardo Laurindo, identificado como diretor industrial; ambos receberam 13 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado. Outros condenados ocupavam funções técnicas e de produção, incluindo responsáveis por cálculos de neutralização da acidez, controle de qualidade e movimentação de insumos.

A sentença descreve métodos utilizados para mascarar irregularidades: uso de códigos ("vitamina" para soda cáustica e "lactose" para peróxido de hidrogênio), cálculos registrados em cadernos para dosagem de químicos, retirada da soda cáustica de estrutura de limpeza e sua adição em silos por baldes, funis ou tubulações, seguida de novas análises para comprovar parâmetros aparentes de conformidade.

Os autos registraram ainda depósitos clandestinos ligados à empresa, onde foram encontradas mais de 800 toneladas de mercadorias deterioradas, vencidas ou sem rotulagem — entre elas lotes destinados à alimentação animal — que, conforme a sentença, eram reaproveitadas na produção. A Justiça apontou também planilhas oficiais apresentadas à fiscalização com resultados falsificados, enquanto controles internos guardavam os resultados verdadeiros.

Como medidas, o juiz determinou o perdimento e a destruição definitiva dos produtos lácteos, insumos, matérias‑primas e substâncias alimentícias apreendidos nos autos e nos depósitos vinculados à Dielat e à Agrovita, além de comunicar o Ministério da Agricultura e as prefeituras que mantenham contratos ou licitações envolvendo pessoas jurídicas vinculadas aos réus. A reportagem informa que a defesa dos condenados e a Dielat não foram localizadas até a publicação e que o espaço permanece aberto para manifestação.