O INPI reconheceu em 15 de setembro de 2026 a Indicação Geográfica (IG) do polvilho produzido de forma artesanal na Região do Cará, em Bela Vista de Goiás. O registro foi atribuído após processo técnico que reuniu estudos sobre histórico, delimitação e notoriedade do produto, conforme relato do Sebrae Goiás.

Segundo a instituição, esta é a quinta IG do estado de Goiás e a primeira IG de polvilho no país. O reconhecimento decorre da manutenção, por gerações, do cultivo da mandioca e da produção de polvilho com métodos tradicionais, como fermentação natural e secagem ao sol, preservados pelas famílias da região.

O processo contou com a participação do Sebrae Goiás, do IF Goiano (por meio do Núcleo de Estudos em Agroecologia do Campus Hidrolândia), da Setec/MEC, do Ministério da Agricultura, Emater Goiás, Prefeitura de Bela Vista de Goiás, UFG e outros parceiros. A Cooperabs — Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores de Polvilho e Derivados da Mandioca da Região do Cará — foi a requerente do registro junto ao INPI e representou coletivamente os produtores.

Produtor e presidente da cooperativa, José da Silva Neto, relatou que a organização da Cooperabs, criada em 2005, e o apoio técnico do Sebrae foram decisivos para a conquista. Ele informou que a produção familiar existe desde 1956 e que hoje os produtores vendem para mais de 40 cidades de Goiás e para a Região do Xingu, no Mato Grosso, enfrentando concorrência do produto industrializado de outras regiões do país.

A reportagem do Sebrae aponta que, após o reconhecimento da IG, haverá etapas de implementação como definição de uso do selo com QR Code para rastreio da procedência, elaboração de embalagens, estabelecimentos de preços e ações de marketing e posicionamento de produto diferenciado. O Sebrae informou que seguirá acompanhando o grupo no processo de ativação e valorização comercial da indicação.