A Câmara Municipal de Teresina foi criada em 21 de novembro de 1833, antecedendo a própria fundação da capital piauiense, que ocorreu em 1852. Naquele período a Vila Velha do Poti, na zona Norte, era um polo comercial importante; com a transferência da capital para a nova Vila do Poti — hoje a área central de Teresina — começaram a ser erigidos os edifícios públicos que marcaram a construção da cidade.
Ao longo do século XIX e nas primeiras décadas do século XX muitas repartições públicas, inclusive o Legislativo municipal, chegaram a funcionar em casas alugadas e instalações provisórias. A Câmara percorreu diferentes imóveis até reivindicar e obter uma sede mais estável, formalizando a reivindicação que resultou na instalação de uma sede definitiva em setembro de 1935.
O antigo prédio da Câmara, localizado no Centro da capital, apresenta características da arquitetura eclética: fachada sóbria, escadaria de entrada e esquadrias de ferro e vidro. Além do valor estético, o edifício integra a memória administrativa de Teresina e testemunha etapas distintas da vida política e urbana do município.
Segundo o historiador Igo Rafael, a Câmara chegou a funcionar no antigo prédio do Banco do Brasil, construído na década de 1920, onde hoje funciona o Museu da Imagem e do Som (MIS). Esse vínculo entre usos bancários, legislativos e museais, ele afirma, faz parte da história administrativa da cidade e ilustra as transformações dos espaços públicos.
Com o crescimento demográfico e o aumento do quadro de vereadores e servidores, a antiga sede passou a não atender às necessidades administrativas e de atendimento ao público. A transferência para a Avenida Marechal Castelo Branco foi motivada por essa necessidade de ampliar a estrutura, oferecendo mais espaço para gabinetes, setores administrativos e acesso à população.
O historiador destaca a importância da conservação dos prédios históricos para a compreensão da trajetória institucional de Teresina. Ele defende ações de conservação, pesquisa documental e iniciativas educativas em escolas e museus para aproximar a população do patrimônio e garantir que as gerações futuras conheçam e valorizem esses marcos da memória urbana e política.




