Sebastião Rocha, 34 anos, é natural de São João da Serra, no interior do Piauí, e filho de agricultores. Segundo a reportagem, a família viveu dificuldades econômicas: o pai não foi alfabetizado, a mãe não concluiu o ensino fundamental e, por muito tempo, o Bolsa Família foi a principal fonte regular de renda da casa.
Aos 19 anos, Sebastião deixou São João da Serra e foi para Teresina, onde trabalhou e se preparou para o vestibular. Em 2012 realizou o Enem e conquistou uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni) para cursar História; concluiu a graduação em 2015 e, depois, fez especialização à distância pela UESPI e mestrado, finalizado em 2021.
Em 2022 foi aprovado em seleção para doutorado no Programa de Pós‑Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mudou‑se para Salvador. A oportunidade acadêmica veio acompanhada de avanços profissionais: em 2023 prestou concurso para a disciplina Cultura e História Africana, Afro‑brasileira e Indígena em Lauro de Freitas; convocado em 2024, passou a trabalhar na rede municipal em 2025.
Para Sebastião, políticas públicas como o Prouni foram fundamentais para sua formação e mobilidade social. Ele afirma que o acesso ao ensino superior abriu condições para sua atuação atual: concilia o cargo de professor concursado na rede municipal de Lauro de Freitas com a conclusão do doutorado e vê seu papel como exemplo e possibilidade de futuro para estudantes em vulnerabilidade.
O docente também enfatiza os problemas enfrentados pela categoria: falta de valorização profissional, infraestrutura precária nas escolas, necessidade de materiais que muitas vezes compra com o próprio salário e desgaste físico e emocional. Ao celebrar o Dia do Professor, Sebastião ressalta a importância de investir em respeito, condições de trabalho e políticas de permanência estudantil para ampliar oportunidades.



