Levantamento feito a partir do Portal da Transparência do Governo do Rio Grande do Norte indica que o candidato ao governo Cadu de Lula (PT) recebeu R$ 97.017,92 em indenizações de transporte ao longo de 2025, quando ocupava o cargo de secretário estadual da Fazenda. O valor corresponde à soma dos pagamentos registrados naquele ano, além da remuneração regular do então secretário.
A indenização tem por objetivo ressarcir despesas de servidores que utilizam veículos particulares em deslocamentos de trabalho e, segundo a reportagem, contempla auditores fiscais e outros servidores da Fazenda que realizam fiscalização de mercadorias em trânsito. Cadu é auditor fiscal de carreira.
A regulamentação do benefício consta da Portaria nº 464/2022, assinada por Cadu em junho de 2022 quando era secretário de Tributação — pasta anterior à criação da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). A portaria estabeleceu critérios, valores e mecanismos de controle para a concessão dos pagamentos.
Em 2025, a regra aplicável aos auditores fiscais previa pagamento de 5,16% do vencimento básico do quinto nível da carreira por viagem realizada; o Caderno de Remuneração da Sead apontou, em junho daquele ano, vencimento básico de R$ 19.405,86 para esse nível. Com esse parâmetro, cada indenização equivaleria a cerca de R$ 1.001,34, e a quantia anual recebida por Cadu corresponderia financeiramente a aproximadamente 97 indenizações, segundo a estimativa da reportagem.
A portaria fixa ainda limites e vedações: limite de quatro indenizações por servidor a cada mês; proibição de incorporação aos vencimentos, aposentadorias ou pensões; e previsão de não incidência de Imposto de Renda e de contribuição previdenciária sobre a verba. Em 2025, a regulamentação também vedava o recebimento de diárias ou passagens para cobrir despesas abrangidas pela indenização.
A reportagem observa que o cálculo apresentado é uma estimativa e não permite afirmar quantas viagens Cadu realizou, quais foram os destinos ou se todos os pagamentos usaram a mesma base de cálculo. Para esclarecer esses pontos seriam necessários os processos administrativos de concessão, com justificativas, registros de deslocamento e demais documentos que comprovem cada pagamento.




