Em entrevista à Rádio Diário FM, o economista e estatístico Teles Júnior, vice‑governador do Amapá, afirmou que a abstenção eleitoral tende a ser um fator determinante para explicar diferenças entre o que mostram as pesquisas e o resultado efetivo nas urnas no segundo turno das eleições presidenciais marcado para 25 de outubro.

Teles Júnior citou séries históricas e observou que, entre 2010 e 2022, na maioria das eleições a abstenção no segundo turno foi maior do que no primeiro. Ele mencionou especificamente que, em 2022, a abstenção passou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, variação de 0,32 ponto, e avaliou ser provável que neste ano a abstenção aumente ou mantenha o mesmo patamar do primeiro turno.

O vice‑governador explicou que a perda de dois pontos de um candidato vista entre pesquisas recentes pode não ter ido diretamente para o adversário, mas ter sido convertida em respostas de 'não sabe/não respondeu', brancos, nulos ou na possibilidade de não comparecimento ao voto, o que provoca distorções nas intenções medidas em levantamentos de opinião.

Apesar de reconhecer o impacto da abstenção sobre a comparação entre pesquisas e urnas, Teles Júnior disse não acreditar que o eleitor ausente seja decisivo para o resultado presidencial, argumentando que é improvável que a diferença de participação vote exclusivamente em um dos candidatos, mas sim que se divida entre ambos. Ele também citou a mobilização das campanhas nas ruas como outro fator que pode influenciar o desfecho.