O Governo do Distrito Federal informou que a transferência de R$ 120 milhões de recursos da Saúde ao Banco de Brasília (BRB), realizada em 21 de setembro, teve como finalidade o pagamento dos salários dos servidores da área. A Secretaria de Economia explicou que a folha da Saúde ultrapassa R$ 897 milhões mensais e que o BRB operacionaliza os pagamentos.

O Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou a apuração da movimentação. A investigação buscará esclarecer a origem específica dos R$ 120 milhões, se os recursos eram vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e se foram usados diretamente para quitar a folha ou permaneceram aplicados em produtos financeiros do banco antes de eventual destinação.

A apuração foi aberta após representação do deputado distrital Gabriel Magno e decisão do conselheiro Renato Rainha, que entendeu haver elementos suficientes para aprofundar a análise. Entre os pontos a ser verificados está a compatibilidade da operação com a legislação que disciplina a movimentação e aplicação de recursos destinados à saúde pública.

O deputado questionou ainda diferença de prazos entre a data da transferência, em 21 de setembro, e o registro da ordem bancária no Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo), em 23 de setembro. A suspeita apresentada por parlamentar — de que os recursos teriam sido usados para reforçar a liquidez do BRB — permanece como alegação a ser comprovada pela investigação.

Ao admitir a transferência, o GDF apresentou uma justificativa administrativa, mas o TCDF informou que confrontará a explicação com documentos e demonstrativos para verificar o destino final dos recursos, o intervalo entre recebimento e efetivo pagamento a servidores e a observância das normas aplicáveis aos recursos do SUS. A abertura do procedimento não significa conclusão de irregularidade.