Uma palestra realizada na Agência Sebrae durante a Festa do Boi 2026 abordou os impactos econômicos da mastite na produção de leite. O tema "O prejuízo escondido no tanque: o impacto da mastite no seu bolso" foi apresentado pelo médico‑veterinário Marcos Veiga, professor titular e vice‑diretor da FMVZ‑USP.
Veiga explicou que vacas com mastite podem produzir de um a três litros de leite a menos por dia e que a redução na produtividade é apenas parte dos prejuízos. A mastite também pode diminuir a remuneração quando indústrias adotam pagamento por qualidade, além de gerar gastos com tratamento e descarte de leite nos casos clínicos.
O especialista enfatizou a importância da identificação da mastite subclínica — sem sinais visíveis no leite — e apresentou a contagem de células somáticas (CCS) como principal ferramenta de acompanhamento. Recomendou análises regulares, incluindo exame simples como o California Mastitis Test (CMT), preferencialmente com acompanhamento mensal.
Para dimensionar perdas financeiras, Veiga citou pesquisa feita em parceria com o Sebrae de Minas Gerais, com dados de propriedades acompanhadas entre 2015 e 2017: fazendas com contagem de células somáticas próxima de 750 mil/ml tiveram lucro anual cerca de R$ 1 mil menor por vaca em comparação com propriedades com índices próximos de 100 mil/ml.
O palestrante destacou ainda impactos na reprodução — estudos apontam prolongamento em cerca de 30 dias do período sem gestação — e a necessidade de identificar os agentes causadores por meio de análise microbiológica para direcionar estratégias de controle. Veiga ressaltou que a melhoria da qualidade do leite beneficia produtores e a indústria, na produção de derivados como queijos.
A atividade integrou a programação da Agência Sebrae na Festa do Boi 2026, realizada no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, espaço que reuniu também outras palestras e oficinas voltadas ao fortalecimento da cadeia do leite e do agronegócio potiguar.
