O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP‑BS) registrou, em 2026, pelo menos dez ocorrências em que cães feriram ou atacaram animais marinhos nas praias de Santa Catarina, informou o coordenador‑geral do PMP‑BS, André Barreto. Entre os relatos estão aves, pinguins, lobos‑marinhos e um filhote de elefante‑marinho nascido no estado.

O filhote de elefante‑marinho nasceu em 26 de setembro em Jaguaruna, no Sul do estado. Dois dias depois a equipe do PMP‑BS foi informada sobre a morte do animal; o exame inicial feito por veterinários apontou indícios compatíveis com ataque por cães, mas as amostras foram enviadas a laboratório e o resultado final pode demorar até 60 dias para ficar pronto, segundo a equipe responsável.

A coordenação do PMP‑BS descreveu que certos tipos de lesões — marcas de dentes, hemorragias e exposição de ossos — indicam agressão por cães. Barreto também relatou que cachorros soltos têm atacado monitores do projeto em praias como Barra Velha, Itapoá e São Francisco do Sul, a ponto de impedir o monitoramento em alguns trechos por risco aos pesquisadores.

A reportagem listou casos ao longo do litoral catarinense com datas e locais em que foram observadas lesões sugestivas de ataque de cães: São Francisco do Sul (Ervino), Palhoça (Pinheira), Laguna (Praia do Sol e Mar Grosso), Barra Velha (Praia do Tabuleiro), Garopaba (Praia da Barra) e Imbituba (Porto Sul), entre outros. Em vários episódios os animais foram resgatados para tratamento; em outros, foram encontrados mortos com ferimentos compatíveis com mordidas.

O PMP‑BS destacou que, embora reconheça a importância dos cães como animais de estimação, a presença de animais soltos nas orlas pode formar matilhas e representar ameaça à fauna marinha e à segurança das equipes de monitoramento. As informações e as descrições das lesões foram divulgadas pelo projeto e por veterinários responsáveis pelas análises iniciais.