A bancada do PT na Câmara solicitou a Hugo Motta (Republicanos‑PB) que o Partido Liberal (PL) fique de fora do bloco partidário que apoia a recondução do parlamentar à presidência da Câmara. O pedido foi feito em reunião dos petistas com Motta, que já confirmou apoio à sua recondução por parte de diversas legendas.

O bloco que apoia Motta reúne, além do PT, siglas como União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT, PC do B, PSB e PV, totalizando uma base estimada de 361 deputados — número suficiente para assegurar a eleição do presidente da Casa, embora a votação seja secreta.

Fontes ouvidas pela reportagem relatam que o PT busca, com a proposta, isolar o PL em reação à postura adotada por lideranças da legenda e à divulgação de uma carta polêmica atribuída a Flávio Bolsonaro. Hugo Motta declarou que consultará todas as siglas do bloco antes de admitir a entrada de qualquer nova legenda, sem garantia de excluir o PL.

Analistas e líderes do Centrão ouvidos nos bastidores afirmam que deixar o PL fora do bloco poderia reduzir a influência da legenda na Mesa Diretora, na distribuição de emendas e nas comissões. Ainda assim, há resistência entre correlegionários de Motta e do próprio PL, que alegam ter direito a participação nas negociações parlamentares.

A disputa pela composição do bloco refl ete a nova correlação de forças no Congresso após as eleições, com o PL crescendo em bancadas, e tende a influenciar negociações sobre cargos e pautas legislativas no início da nova legislatura. Motta segue articulando apoios enquanto ouve orientações das siglas que já integram a frente.