A iniciativa partiu da pergunta comum “O que você quer ser quando crescer?”, segundo a professora Giovanna Macedo, de Campinas (SP). Com base em fotos tiradas em 2025 dos 31 alunos do 4º ano da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, localizada em um bairro de periferia da cidade, ela recorreu a ferramentas de inteligência artificial e ao ChatGPT para reproduzir, em vídeo, como cada criança poderia ficar ao exercer a profissão que sonha.
O material produzido pela docente destacou a reação emocionada dos estudantes, cujas respostas incluíram jogador de futebol, astronauta, veterinária, bailarina, cantor e artista. A professora disse que o objetivo foi permitir que as crianças imaginassem uma etapa da vida ainda distante e que atividades assim ajudam a fortalecer autoestima e ampliar horizontes.
Giovanna, que voltou a celebrar o Dia do Professor em 15 de outubro e atua há oito anos no magistério, afirmou não ter capacitação formal em IA, mas usa tecnologias de modo intuitivo para criar recursos visuais que tornem as aulas mais atraentes. Após a repercussão, ela relatou planos de buscar especialização em metodologias e didática para aprofundar o uso pedagógico da nova tecnologia.
Formadores e gestores ouvidos colocaram atenção na formação docente e no letramento digital: Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School (Rio de Janeiro), afirmou que o uso da IA deve considerar diversidades em sala e incluir formação para que professores orientem sobre pesquisa, verificação de informações e riscos de compartilhamento de dados. O professor Marcio Luiz Dias, que atua na formação continuada em tecnologias educacionais no Distrito Federal, defende que a capacitação supere o uso mecânico e avance para o uso crítico, colaborativo e intencional das ferramentas.
O Ministério da Educação informou à Agência Brasil que prepara uma nova resolução sobre o uso de inteligência artificial, sem data prevista, cujo objetivo será ampliar o uso pedagógico da tecnologia, preservar a autonomia dos professores e garantir proteção aos estudantes. A pasta disse que a resolução pretende oferecer um parâmetro nacional unificado para orientar a adoção consciente e ética da IA em todas as etapas de ensino.




