A Polícia Civil do Paraná concluiu investigação sobre um esquema de estelionato em que um agricultor de Paulo Frontin fez ao menos 21 transferências que totalizaram mais de R$ 83 mil, segundo o inquérito conduzido pela 10ª Delegacia Regional de Polícia de Mallet. A apuração identificou pagamentos sucessivos motivados por promessas de supostos trabalhos espirituais destinados a resolver problemas financeiros e pessoais.

De acordo com o relatório da polícia, o agricultor teria contraído dívidas bancárias para custear os pagamentos, o que comprometeu a situação financeira da família. Investigadores apuraram conversas que mencionavam ainda trabalhos supostamente destinados a prejudicar outras pessoas e mensagens em que o agricultor teria feito ameaças de morte contra a própria esposa e a sogra.

Um dos pontos apontados como mais graves foi a contratação de um suposto trabalho que, segundo a apuração, teria a finalidade de provocar a morte da esposa do agricultor, que vinha enfrentando problemas de saúde. Em depoimentos, os dois homens investigados negaram que os valores se referissem a trabalhos espirituais e disseram que se tratava de comercialização de insumos agrícolas.

A Polícia Civil informou que nenhum dos investigados apresentou documentos capazes de comprovar operações comerciais — como notas fiscais, preços ou fornecedores — e que os elementos reunidos indicam exploração de confiança por meio de promessas enganosas e cobranças sucessivas. Com base nisso, o homem apontado como responsável pelos supostos trabalhos foi indiciado por estelionato na forma de continuidade delitiva (artigos 171 e 71 do Código Penal).

O agricultor foi indiciado por dois crimes de ameaça em contexto de violência doméstica (artigo 147, §1º, do Código Penal). A autoridade policial registrou o indiciamento como conclusão do inquérito quanto à materialidade e autoria indicadas nas apurações; eventual responsabilização dependerá do devido processo legal e das decisões das autoridades competentes.