A pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Paloma Ludmyla, mestranda em drenagem sustentável, alertou para os riscos de permitir a construção de prédios na região da voçoroca situada às margens da BR‑040, em Valparaíso de Goiás. Segundo ela, a área concentra nascentes, solo hidromórfico e cursos naturais de água, características que a tornam sensível à impermeabilização do solo.

Paloma afirmou que o zoneamento local sofreu alterações nos últimos anos: áreas que figuravam como de preservação em mapas de 2012 foram recortadas em 2018 e parte acabou classificada como zona de uso misto, condição que pode permitir edificações mais densas, incluindo blocos de até oito pavimentos. Para a pesquisadora, essa mudança exige avaliação cautelosa diante das características ambientais.

O principal risco identificado é a perda de permeabilidade do terreno com a construção de prédios, ruas e estacionamentos. A impermeabilização tende a aumentar o escoamento superficial das chuvas, concentrando o fluxo hídrico e elevando a pressão sobre o solo, o que, na avaliação de Paloma, pode agravar a erosão já presente e ampliar a voçoroca.

Em vez da autorização para adensamento, a pesquisadora defendeu que a área seja preservada e que sejam priorizadas alternativas de manejo das águas pluviais, como a implantação de bacias de contenção e outras soluções de drenagem sustentável. Ela ressaltou, porém, que a viabilidade técnica dessas intervenções depende de estudos que avaliem solo, águas subterrâneas e estabilidade do terreno.

Paloma também mostrou sequência de imagens que, segundo sua análise, indicam aceleração do avanço da erosão no período recente — com aceleração percebida a partir de 2015 e intensificação aparente depois de 2025 —, hipótese que, conforme ela mesma admite, exige estudos técnicos para comprovar relações causais com obras nas proximidades, como a construção de um shopping.

Diante da possibilidade de adensamento urbano, a pesquisadora conclama autoridades técnicas e órgãos responsáveis pelo planejamento urbano a considerar as características naturais da área — nascentes, dinâmica do solo e cursos d’água — antes de autorizar novas construções, para conciliar desenvolvimento urbano com segurança ambiental e prevenção de danos.