Entre 2021 e 2026, a rede estadual de ensino do Paraná passou de 1.300 a 11.950 estudantes identificados com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). A identificação é feita por meio de um protocolo pedagógico da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) que combina questionários, atividades e entrevistas aplicadas por equipes escolares.

O processo costuma iniciar a partir de observações de professores, demanda da família ou do próprio aluno. Quando há indícios, a escola aplica instrumentos de triagem e, se detectados os indicadores, segue para estratégias pedagógicas adequadas ao perfil do estudante, sem caráter clínico — diferenciado das avaliações neuropsicológicas.

O protocolo é pensado para ser executado pela escola e vem sendo aprimorado pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades ou Superdotação (NAAH/S) ao longo de cerca de 15 anos. A partir de 2022, a Seed intensificou a formação docente sobre o protocolo, instruindo professores sobre o embasamento teórico e a aplicação das atividades, que costumam durar cerca de seis encontros.

Ao final do processo, o profissional emite parecer pedagógico que descreve o procedimento e informa se houve identificação de AH/SD; confirmados os indicadores, esse parecer é o documento que autoriza a matrícula no Atendimento Educacional Especializado (AEE), que oferece suplementação e enriquecimento curricular.

A rede estadual conta com 16 Escolas de Referência em AH/SD, distribuídas em dez municípios, e 315 Salas de Recursos Multifuncionais em 165 escolas de 93 municípios. Há também atendimento em 473 escolas de tempo integral e 169 Turmas PR+, com atividades de enriquecimento complementar ao currículo regular.

A Seed descreve que as intervenções para estudantes com altas habilidades podem incluir projetos de pesquisa, iniciação científica e experiências em ciência, tecnologia, robótica, artes, literatura, escrita criativa e xadrez. A Secretaria destaca que a superdotação é heterogênea e pode se manifestar em áreas específicas ou em características como criatividade e raciocínio lógico.

Dos quase 12 mil estudantes identificados em 2026, a Seed informa que cerca de 20% não estão sendo atendidos pelo Atendimento Educacional Especializado; a falta de atendimento é mais comum entre alunos do 2º e 3º ano do Ensino Médio que acumulam outras atividades, como trabalho ou programas de intercâmbio.